O homem que não entendeu o Free.

Quanto mais eu ouço música, mais eu começo a prestar atenção nos detalhes envolvidos. Timbres, composição, efeitos, mixagem, produção. Minha evolução musical trouxe tudo isso junto.

Hoje em dia, consigo perceber melhor o papel de produtores e engenheiros de gravação durante o processo de registro de um disco. Ou o papel que eles deveriam ter.

Estava eu feliz da vida ouvindo Free, uma banda que gosto muito, quando começa a tocar uma versão de “Fire and Water” que soava muito estranha. Parecia a gravação original, que é do disco de mesmo nome, de 1970, mas tinha alguma coisa “errada” ali. Ambiência exagerada na bateria e na voz. Efeitos na guitarra de Paul Kossoff – que daria um tiro na cabeça do responsável pela mixagem se ouvisse a tal versão. Todos os registros de estúdio do Free foram feitos de forma muito crua, com ambiência praticamente zero. Ouvi até o final. Ouvi de novo. Ouvi a versão original. Eram as mesmas frases, o mesmo solo de guitarra. Mas a mixagem era totalmente diferente. Não tinha nada a ver com o Free.

Fui pesquisar sobre essa versão. Descobri que ela foi remixada para uma coletânea lançada em 1991, chamada “All Right Now: The Best of Free”. O responsável pela mixagem foi Bob Clearmountain, que já foi nomeado quatro vezes para o Grammy de melhor engenheiro de gravação, além de ter trabalhado com Paul McCartney, The Who, Bryan Adams, Robbie Williams, Bon Jovi, Rolling Stones e Bruce Springsteen – Bob mixou o histórico “Born in the USA”. Mixou um dos discos que eu mais gosto dos Rolling Stones, o “Stripped”, de 1995.

E aí eu fiquei pensando. Como um profissional com essa trajetória invejável pode ter feito um trabalho que eu adoro (Stripped) e, ao mesmo tempo, ter entendido tão equivocadamente o som do Free?

Me desculpe, Bob, mas essa não deu pra engolir.

free_fire_and_water_cover

(escrito ao som de Free – Fire and Water – a original!)

14 Comentários

Arquivado em Música

14 respostas para O homem que não entendeu o Free.

  1. Crotti

    Hé.Hé. Depois de escutar a gravação eu cheguei a conclusão de que o cara havia tomado muita cana. E tomou tudo pelos ouvidos !!!

    Muito bom o texto. Melhor ainda a sua percepção e analise da gafe do cidadão.

    Grande abraço

  2. Diego Fadul

    Muito bom, cara :^)

    Li todos daqui.

  3. tarsio

    vai um chorus ai?

  4. caraio!! arrghhhh!! tinha até me esquecido que eu comprei essa coletânea há alguns anos atrás na Aqualung da Galeria do Rock…
    Realmente o cara zoou muito o som do Free… as baterias ficaram muito escrotas, deixou os caras soando como A-HA (80′s) …. :-S

  5. acevagner

    é… estranho, e olha que eu gosto de reverb.

  6. Luiz Esmiralha

    Acho que eu vou destoar da galera… rsrsrsrs
    Eu confesso que gosto dessa versão… Na verdade, foi a primeira versão que conheci dessa música e quando ouvi a original, bem… eu achei crua demais.
    Pronto atirem as pedras… rsrsrsrs

  7. Lis

    Ai… Eu acredito que é porque estamos falando de gente. Profissional erra; erramos. E também tem aquela coisa: o povo quer inventar tanto, que acaba pecando por excesso. Bom…é o meu ponto-de-vista. hehehehehehe. Não se deve levar muit em conta, porque não entendo nada de música. :)

    Um beijo grande!!!!
    E bom final de semana!!! :)

  8. ….acho que os comentários da Lis e do Esmiralha são os que mais se assemelham com o meu “achismo” também. Não posso falar muito no caso do Free porque eu não escutei a versão remixada……nem a original…..e provavelmente nunca a escutarei, mas esse lance de remixagem é muito doido. Vai da percepção de cada um, do grau alcóolico de cada produtor na hora do trabalho……tirem por base Phil Spector que fez um trabalho no Let it Be em que John adorou e Paul odiou….tem que goste e tem que odeie….então as mixagens e remixagens deveriam vir assim: Let it Be by Phil Spector, ou seja, um disco dos Beatles porém com a visão do Phil….. acho que é isso que eu penso………..”acho”………

  9. Erik Terrabuio

    Deve ser o mesmo feladapu que remixou os discos do ZZ Top nos anos 80, colocando reverb nas vozes e regravando as baterias.
    Ou vai ver o cara quis colocar “aquele puta som que o Phil Collins faz” na remixagem do Free, heheh.
    De qualquer maneira, nunca confie num produtor que usou ombreiras nos anos 80.
    Muito bom o site mano, parabéns.

  10. …quem nasceu abaixo de 1975 e nunca usou ombreiras nos ternos dos anos 80 que atire a primeira pedra……

  11. Vou baixar pra conferir… Não conheço muito de Free… Mandou bem fio… Rocklabel!!

  12. Lis

    Oi? tem alguém por aqui? :)

  13. falaqueeuteescuto

    Geeente!!!
    Quanto “bad hair day” nessa foto!
    Rs!

  14. Pingback: O homem que não entendeu o Free, mas entendeu o Boss. « Violando | Música e outros que tais.

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