Eu estava conversando com um amigo sobre a passagem de Mick Jagger e Keith Richards pela América do Sul (incluindo o Brasil) no final da década de 60. Ele me contou que o Keith descobriu a afinação “Sol Aberto” (Open G tuning) ao ouvir a música dos violeiros do interior do nosso país. A título de curiosidade, essa afinação é conhecida pelos violeiros como “Rio Abaixo”. Eu não toco viola caipira, mas sempre tive muito contato com esse instrumento, especialmente porque meu tio ensinava viola.
É conhecida a relação entre a música caipira brasileira e o blues (e a música “caipira” norte-americana em geral). Uma das características comuns é a utilização de afinações abertas.
E isso tudo me fez lembrar do tempo em que comecei a aprender a tocar violão. Nessa época, quando eu ainda morava no interior de SP, eu costumava ir à uma tradicional barbearia em minha cidade quando precisava cortar o cabelo. Coisa corriqueira no interior, o barbeiro e proprietário do local adorava música sertaneja e, por acaso, mantinha uma viola caipira encostada num canto. Era fã do Tião Carreiro e do Renato Andrade. Eu, por outro lado, era fã do David Gilmour, um blueseiro em essência, e de blues em geral. E apesar de não saber nada de viola, eu conseguia perceber a sonoridade do blues ali. Pegava a viola do barbeiro e ficava tentando tocar alguma coisa com aquela afinação estranha. Era divertido.
Atualmente, tenho estudado e experimentado bastante as afinações abertas, principalmente depois que comecei a me interessar mais por Black Crowes, o que acabou fazendo com que eu e outro amigo montássemos um projeto tributo à banda: http://www.blackcrowescover.com
Hoje, é engraçado e nostálgico pensar que a viola do barbeiro me ajudou a entender a visão da música de caras como Keith Richards e Rich Robinson (do Black Crowes), que hoje são grandes influências para mim.

12 Comentários
Setembro 17, 2007 às 6:45 pm
Legal o texto, Zé! Mais legal é saber que voce ia a barbeiro antigamente. hahahahahahahahahaha
Setembro 17, 2007 às 6:47 pm
Legal… mas isso é uma coisa do passado agora… já faz tempo que você não precisa mais cortar o cabelo hehehehehe
Setembro 17, 2007 às 7:05 pm
Parabens pelo texto e boa sorte com o blog Caio. Tá muito bem escrito.
Setembro 17, 2007 às 7:20 pm
auhuahuauhauh vc ia no barbeiro por causa da barba neh?
com 10 anos vc já tinha essa barba ruiva, não? ahuuhahahhahua
owww caio barba-ruiva, parabens pelo texto…. demorou pra começar a escrever hein? já que vc gosta de escrever (pelo que me falou no macfil)
[]’s
Setembro 17, 2007 às 9:51 pm
Boa, Caio!
Curti!
Se o tal barbeiro estiver vivo, ele certamente ficaria bem feliz com esta história hein…
O mais loco seria descobrir q o cara virou fã de Black Crowes. ;–)
Setembro 17, 2007 às 11:40 pm
Legal, filho! Vou mostrar pro barbeiro…ele vai gostar.
bjo pai
Setembro 18, 2007 às 7:59 am
Parabéns Caio! Fico muito ogulhosa de voce!!
Um beijo. Mãe nº 02.
Setembro 18, 2007 às 8:35 am
É…definitivamente hoje vc nao toca mais viola do barbeiro….kkkkkk
ae….dê nomes aos bois meu filho….é uma forma de vc homenagear suas raizes….;)
O texto ficou muito bom hein…está tendo aulas com tua irmã????
abraço….
Setembro 18, 2007 às 2:58 pm
Aeeee!!!
Muito bom o texto, muito agradável ler suas memórias. Gostei muito do comentário do Douglas, hahaha… Beijos.
Setembro 18, 2007 às 9:36 pm
Parabéns pelo blog.
Eu conheço esse barbeiro .
Aquele que não faz milagre, né carlinhos?
Setembro 19, 2007 às 6:06 pm
A propósito estamos falando da única viola Di Giorgio do mercado.
Tha Caiú, parabéns pelo blog! Está muito bem escrito!
Se isso é dom familiar, vou falar pra sua irmã começar a tocar guitarra!
Setembro 26, 2007 às 12:36 pm
Uia….fala sério, pediu pra sua irmã escrever num foi??? kkkkk
Lembrei de ler o texto hj Caio, foi mal hein…
Agora faz o favor, fala o nome do barbeiro que eu vou lá também….
Abraço!!!